Nossa Senhora
da Vitória

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MENSAGEM DE DESPEDIDA

Prezados irmãos e irmãs, paroquianos de Nossa Senhora da Vitória,
Amigos e amigas de longa data,

“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu” (Ecle 3,1)

Com esta citação do sábio Eclesiastes, quero iniciar o anúncio que venho fazer por estas linhas que escrevo. A vida é uma escola, já diziam nossos antepassados, e uma escola técnica, por assim dizer. Nela, não se aprende efetivamente nada se não for por experiência.Não há teoria que possa dar a ninguém o “certificado” de sabedoria, de experiência de vida. Só se aprende a viver vivendo,

Na vida vamos fazendo uma série de descobertas, algumas ótimas, outras não tão boas assim, mas todas muito importantes para a bagagem que, dia a dia, vamos acumulando como lição para o futuro. Em determinados momentos estas descobertas precisam ser aplicadas em novas circunstâncias, a fim de abrir-nos para o inédito, e, assim, para construir tudo de novo, mas com algo que já experimentamos.

Não são poucas as vezes em que sentimos vontade de reviver situações passadas, mas sempre “com a experiência do hoje”. Isso porque o que aprendemos na vida é cumulativo, e a cada momento vamos acrescentando mais informação ao nosso arcabouço existencial.

Hoje venho agradecer tudo o que vivi com cada um de vocês, meus amigos, minha família, e dizer que chegou o momento de partir. Deixo esta comunidade para assumir uma nova missão: serei transferido em breve para o ofício de Pároco da Paróquia Santo Sepulcro, em Madureira.

Dois sentimentos me invadem ao fazer esta declaração: o primeiro, como era de se esperar, de saudade, porque deixo aqui parte da minha vida, e parte considerável: de 5 de março de 2005 até 28 de março de 2007 e de 23 de agosto de 2009 até o presente momento:

• Aqui cheguei no início do ano letivo de 2005 para fazer o estágio pastoral dos seminaristas do último ano de Teologia, vindo todos os finais de semana, ajudando nas Celebrações Eucarísticas e em alguns grupos pastorais;

• Para cá mudei quando, terminado o Seminário, era hora de deixar a antiga casa para assumir uma nova vida, mais próxima da atividade para a qual sonhei durante tanto tempo consagrar a minha vida;

• Aqui me preparei para receber o Sacramento da Ordem, não somente eu, mas tive a oportunidade de, em algumas ocasiões, ter esta casa como local de acolhida dos meus irmãos de caminhada, que comigo seriam ordenados;

• Daqui saí para ser ordenado Diácono, em 1° de maio de 2006, e Padre, em 25 de novembro do mesmo ano;

• Aqui exerci o início de meu ministério ordenado, seja diaconal, seja presbiteral;

• Daqui saí com o ofício de Vigário Paroquial da Paróquia Bom Pastor, na Tijuca, o primeiro padre de minha turma a receber uma paróquia para cuidar, com apenas quatro meses de ordenado;

• Para cá voltei, depois de um histórico bem movimentado em um curto espaço de tempo, tendo deixado a Paróquia Bom Pastor estabelecida com um Pároco;

• Daqui saio agora para assumir efetivamente uma Paróquia, onde poderei colocar em prática tudo o que aqui aprendi, mas também aberto à nova realidade que vou encontrar, pois a vida não se faz de técnicas e de modelos preestabelecidos, mas se faz com a mente, o coração e com o lidar com pessoas de carne e osso, que pensam diferente, que têm sua história.

Por outro lado, sinto-me muito feliz, não por estar deixando esta comunidade, mas por ter a oportunidade de mostrar que o menino cresceu, que é hora de “ganhar o mundo”, de fazer a história acontecer, de aplicar tudo o que experimentei e aprendi.

Passei por muitas experiências aqui: alegrias, tristezas, preocupações, esperanças, incertezas.

Aqui aprendi muito e agradeço a Deus a oportunidade de conhecer cada um e de partilhar da vida de vocês em diversos momentos. Agradeço a Deus pelos padres com quem convivi, com suas virtudes e defeitos, como seres humanos que são. Agradeço a Deus pela presença do Pe. Joel nesta comunidade, que fez e continua fazendo a diferença no meio de tantas situações que presenciamos, construindo, juntamente com esta comunidade, a Igreja de Deus aqui em nossa realidade. Agradeço a Deus pelos irmãos seminaristas, os já padres e os que ainda se preparam para a Ordenação, pela fraternidade, pela amizade e, acima de tudo, pela humanidade. Agradeço a Deus por cada funcionário que conheci, com os quais pude estabelecer, ainda que minimamente, uma relação tranquila e sadia, sabendo equilibrar amizade e respeito, e tendo, proporcionalmente, uma relação entre iguais: de alguns posso ser filho; de outros, irmão; de alguns ainda, irmão mais velho. Em todos encontrei sempre amizade e carinho, e a cada um agradeço pela cordialidade e prontidão no serviço.

Agradeço a Deus, enfim, por cada pessoa, por cada rosto que Ele colocou na minha história durante este período, alguns dos quais já partiram para a casa do Pai. Muitos rostos conhecidos e próximos; outros, incógnitos, mas nenhum indiferente ou isolado: sempre recebi de cada um, desde os com quem mais lidei até os mais distantes, que às vezes só via entre uma Missa e outra, e a quem talvez não tenha nem mesmo dirigido a palavra, um sorriso, alguma manifestação de carinho e respeito, a amizade e, tenho certeza, as orações.

E agora? Embora não querendo me alongar, acabei me excedendo nas linhas. Vou encerrar. A hora de dizer adeus é a mais difícil, e, mesmo que queira dizer que é somente um “até logo”, sabemos que a vida nos impõe determinadas barreiras, de tempo e de espaço, que acabam por deixar-nos mais distantes do que gostaríamos. Mesmo assim, o amor que nos une é mais forte, até do que a morte, então por que não venceria as tais barreiras?

Em cada Missa, toda vez que nos pusermos a orar, lembremo-nos uns dos outros, e a distância será menor, pois teremos nossos corações unidos a Deus e entre nós. Como diz a Música, “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam “não”, mesmo esquecendo a canção, o que importa é ouvir a voz que vem do coração. Pois seja o que viver, venha o que vier, qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar. Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar”.

Espero vê-los na cerimônia de posse lá em Madureira, e saibam que as porta de Santo Sepulcro sempre estarão abertas para vocês, meus queridos amigos. Fiquem na paz de Deus, e que Ele nos abençoe sempre e nos encoraje a continuar unidos em seu Amor.

Um forte abraço a todos e até uma próxima oportunidade.

Do amigo

Pe. Cristiano Holtz Peixoto